Carreira

As pautas ambientais, sociais e de governança ganharam espaço no mercado, nas universidades e nas decisões de investimento. Com isso, empresas adotaram critérios ESG em estratégias de crescimento, gestão de riscos e reputação corporativa. Ao mesmo tempo, aumentou a busca por profissionais preparados para atuar nessa agenda.

ESG é uma sigla usada para representar práticas ambientais, sociais e de governança adotadas por empresas. Segundo o Anuário ESG Disclosure Yearbook Brasil, 63% das companhias do Novo Mercado da B3 já publicavam relatórios de sustentabilidade em 2022.

O movimento ganhou novo impulso regulatório com a Resolução nº 193 da CVM, que incorporou os padrões de sustentabilidade IFRS S1 e S2 ao arcabouço normativo brasileiro, tornando sua adoção obrigatória para todas as companhias abertas desde janeiro de 2026. Agora, o foco das empresas está na consolidação desses dados nos relatórios anuais. 

As novas exigências ampliam a demanda por profissionais especializados, relatórios de sustentabilidade e gestão climática. Nesse contexto, entender o que é ESG deixou de ser assunto restrito a grandes corporações. Hoje, o tema influencia decisões de investimento, estratégias corporativas e oportunidades profissionais. 

O que é e como funciona a agenda ESG?

A sigla ESG significa environmental, social and governance. Em português, representa práticas ambientais, sociais e de governança corporativa.

O conceito surgiu para avaliar como as empresas lidam com impactos ambientais, relações sociais, ética, transparência e gestão corporativa. Com o avanço das discussões sobre mudanças climáticas, diversidade, responsabilidade social e regulação econômica, a agenda ESG passou a influenciar investimentos, reputação e competitividade.

Na prática, ESG envolve decisões relacionadas a:

  • Redução de impactos ambientais;
  • Uso responsável de recursos naturais;
  • Diversidade e inclusão;
  • Segurança e bem-estar dos trabalhadores;
  • Transparência financeira;
  • Combate à corrupção;
  • Proteção de dados e governança corporativa.

Com isso, muitas empresas passaram a publicar relatórios ESG para apresentar metas, indicadores e resultados ligados à sustentabilidade.

ESG ambiental, social e governança: como funciona cada pilar?

Os três pilares da agenda ESG atuam de forma integrada. Ainda assim, cada dimensão possui objetivos específicos dentro das organizações.

Ambiental (environmental)

O eixo ambiental envolve ações ligadas à preservação ambiental, gestão de resíduos, eficiência energética, emissões de carbono e uso sustentável de recursos naturais.

Empresas passaram a investir mais em descarbonização, energia renovável e controle de impactos ambientais. Segundo levantamento da XP, fundos sustentáveis e investimentos ligados a critérios ESG atingiram R$ 52 bilhões no Brasil em 2025.

Ao mesmo tempo, temas como mercado regulado de carbono e transição energética seguem ganhando ainda mais relevância.

Social (social)

O pilar social abrange temas relacionados a diversidade, relações trabalhistas, saúde e segurança no trabalho e responsabilidade social:

  • Diversidade e inclusão;
  • Saúde e segurança no trabalho;
  • Direitos humanos;
  • Relações trabalhistas;
  • Desenvolvimento social;
  • Experiência dos colaboradores;
  • Responsabilidade social corporativa.

Com consumidores mais atentos ao posicionamento das marcas, empresas começaram a tratar impacto social como parte da estratégia de negócios.

Governança (governance)

O pilar de governança reúne práticas ligadas à ética, transparência e estrutura de gestão das empresas. Ele define como a organização toma decisões, administra riscos e presta contas a investidores, órgãos reguladores e sociedade.

Na prática, esse eixo inclui políticas de compliance, auditoria, segurança da informação, proteção de dados, prevenção à corrupção e gestão de riscos. Também envolve conselhos administrativos, códigos de conduta e mecanismos de controle interno.

A governança também ganhou mais relevância por causa do aumento da cobrança sobre transparência corporativa e divulgação de informações financeiras e ambientais. 

Segundo a WayCarbon, os padrões IFRS S1 e IFRS S2 devem ganhar protagonismo nas empresas brasileiras nos próximos anos, ampliando as exigências relacionadas a riscos climáticos, sustentabilidade e relatórios corporativos.

ESG nas empresas: por que o tema ganhou força?

A agenda ESG avançou porque a sustentabilidade passou a impactar diretamente resultados financeiros, reputação e acesso a investimentos.

Empresas que ignoram riscos ambientais, climáticos e sociais podem enfrentar:

  • Perda de competitividade;
  • Dificuldades regulatórias;
  • Problemas reputacionais;
  • Redução do interesse de investidores;
  • Aumento de custos operacionais.

Por outro lado, organizações que incorporam práticas ESG conseguem fortalecer a imagem institucional, ampliar eficiência operacional e atrair investidores atentos à sustentabilidade corporativa.

Consumidores e profissionais mais jovens também intensificaram a valorização de empresas alinhadas a pautas ambientais e sociais. Esse movimento alterou estratégias de contratação, comunicação e gestão corporativa.

ESG e sustentabilidade: existe diferença?

Embora os termos apareçam juntos com frequência, ESG e sustentabilidade não são sinônimos.

Sustentabilidade é um conceito mais amplo, ligado ao equilíbrio entre desenvolvimento econômico, preservação ambiental e impacto social.

Já ESG funciona como um conjunto de critérios usados para avaliar como as empresas aplicam esses princípios na prática. O conceito transforma sustentabilidade em indicadores, metas, relatórios e estratégias corporativas.

Por isso, ESG ganhou espaço no mercado financeiro e na gestão empresarial, especialmente em decisões ligadas a investimentos, governança e gestão de riscos.

Como implementar ESG nas empresas?

A implementação da agenda ESG depende de planejamento, indicadores e integração entre diferentes áreas da empresa.

Normalmente, o processo inclui:

  1. Diagnóstico de impactos ambientais e sociais;
  2. Definição de metas e indicadores;
  3. Criação de políticas internas;
  4. Monitoramento de dados;
  5. Elaboração de relatórios ESG;
  6. Acompanhamento regulatório;
  7. Comunicação com investidores e stakeholders.

Para isso, as empresas incorporaram profissionais especializados para estruturar programas ESG e atender novas exigências regulatórias.

O que faz um profissional de ESG?

O profissional de ESG atua na criação, acompanhamento e implementação de estratégias ligadas à sustentabilidade corporativa. 

Dependendo da empresa e do setor, esse trabalho pode envolver elaboração de relatórios de sustentabilidade, análise de indicadores ambientais, gestão climática, compliance, governança corporativa, diversidade e inclusão, relacionamento com investidores e avaliação de riscos ESG.

Além da parte estratégica, esse profissional também participa da definição de metas ambientais e sociais, acompanha indicadores corporativos e contribui para adequação das empresas a normas e exigências regulatórias. 

Em muitas organizações, a área atua de forma integrada com setores financeiros, jurídicos, operacionais e de comunicação.

Carreira em ESG: como entrar na área?

A carreira em ESG reúne profissionais de diferentes formações. Não existe um único curso obrigatório para atuar na área.

Atualmente, profissionais de Administração, Engenharia, Direito, Economia, Gestão Ambiental, Comunicação, Relações Internacionais e áreas correlatas costumam atuar em projetos ESG.

Além da graduação, muitas empresas valorizam conhecimentos em:

  • Sustentabilidade corporativa;
  • Governança;
  • Análise de dados;
  • Gestão de riscos;
  • Relatórios ESG;
  • Compliance;
  • Indicadores ambientais;
  • Legislação ambiental.

Também cresce a busca por profissionais com visão multidisciplinar e capacidade analítica.

ESG mercado de trabalho: como está a demanda?

A demanda por profissionais ligados à sustentabilidade aumentou significativamente nos últimos tempos.

De acordo com uma reportagem do Terra, empresas do agronegócio já registram crescimento na contratação de especialistas em ESG, principalmente em sustentabilidade, gestão ambiental e redução de emissões.

Relatórios de mercado também indicam crescimento das vagas ligadas à transição energética, à governança corporativa, ao mercado de carbono e à análise de sustentabilidade. O tema também aparece entre as tendências profissionais associadas à economia verde e às novas exigências regulatórias para 2026.

Apesar da alta demanda, o mercado enfrenta um “apagão de talentos” no setor, segundo dados do Global Green Skills Report, do Linkedin. 

Como a agenda ESG tornou-se obrigatória para empresas de capital aberto em 2026, a busca por especialistas superou a velocidade de formação de novos profissionais. Essa escassez de mão de obra qualificada é o que impulsiona a valorização salarial e torna o momento ideal para quem busca transição de carreira ou especialização.

Quanto ganha um profissional de ESG?

Os salários na área variam conforme experiência, setor, porte da empresa e nível de especialização. Profissionais que atuam com gestão climática, governança corporativa, mercado financeiro e relatórios regulatórios costumam receber remunerações mais altas.

Segundo profissionais ouvidos pelo Terra, especialistas podem receber entre R$ 10 mil e R$ 15 mil em diferentes segmentos. Em cargos estratégicos e posições de liderança, os valores podem ser maiores.

De acordo com a Adecco Brasil, analistas recebem, em média, entre R$ 4,5 mil e R$ 7,5 mil. Coordenadores e especialistas em ESG podem ganhar entre R$ 8 mil e R$ 15 mil, enquanto cargos gerenciais chegam a R$ 30 mil, dependendo da empresa e da complexidade dos projetos.

A valorização da área acompanha o aumento das exigências regulatórias e da busca por profissionais com conhecimento em relatórios ESG, compliance, gestão de riscos e sustentabilidade corporativa.

ESG em 2026: principais tendências

As discussões sobre o tema devem continuar crescendo. Entretanto, o foco das empresas tende a ficar mais técnico e regulatório.

Entre as tendências para 2026 estão:

  • Avanço dos padrões IFRS S1 e IFRS S2;
  • Expansão do mercado de carbono;
  • Maior cobrança por transparência corporativa;
  • Integração entre ESG e gestão financeira;
  • Uso de tecnologia para monitoramento ambiental;
  • Fortalecimento da economia verde;
  • Aumento de exigências regulatórias.

Para abarcar essas tendências, as empresas devem ampliar investimentos em relatórios de sustentabilidade e gestão climática.

Como se especializar em ESG?

Com o crescimento da área, aumentou também a busca por formação complementar e especialização em ESG. Cursos de graduação, pós-graduação e MBAs ajudam profissionais a desenvolver conhecimentos ligados à sustentabilidade corporativa, governança, compliance, gestão ambiental, análise de riscos e estratégia empresarial.

A formação também contribui para acompanhar mudanças regulatórias, tendências do mercado e novas exigências relacionadas a relatórios de sustentabilidade e gestão climática.

Na PUC Minas, diferentes especializações dialogam com temas ligados à agenda ESG, sustentabilidade, inovação, gestão e governança corporativa. 

Entre elas estão:

A combinação entre gestão, sustentabilidade e governança amplia as possibilidades de atuação em diferentes setores da economia. 

FAQ — perguntas frequentes sobre ESG e carreira

1 – O que é ESG?

ESG é uma sigla para environmental, social and governance, expressão usada para representar práticas ambientais, sociais e de governança adotadas por empresas. O conceito avalia como organizações lidam com temas ligados à sustentabilidade, responsabilidade social, ética corporativa e transparência na gestão. 

2 – O que é agenda ESG?

A agenda ESG é o conjunto de estratégias, políticas e ações adotadas pelas empresas para incorporar práticas ambientais, sociais e de governança à gestão corporativa. Isso inclui iniciativas relacionadas à sustentabilidade, responsabilidade social, ética, transparência e gestão de riscos. 

3 – O que faz um profissional de ESG?

Esse profissional atua na implementação, análise e monitoramento de práticas ligadas à sustentabilidade corporativa, governança e responsabilidade social. O trabalho pode envolver indicadores ESG, relatórios de sustentabilidade, gestão de riscos, compliance, diversidade, estratégias ambientais e acompanhamento de metas corporativas. 

4 – ESG é o mesmo que sustentabilidade?

Não. Sustentabilidade é um conceito mais amplo, relacionado ao equilíbrio entre desenvolvimento econômico, impacto social e preservação ambiental. ESG funciona como um conjunto de critérios usados para avaliar como as empresas aplicam esses princípios na prática. 

5 – Quais cursos ajudam a trabalhar com ESG?

Administração, Engenharia, Direito, Economia, Gestão Ambiental e cursos ligados à sustentabilidade corporativa costumam ter relação com a área. Além da graduação, muitos profissionais buscam especializações, MBAs e pós-graduações voltadas para governança, compliance, gestão ambiental, responsabilidade social e sustentabilidade empresarial. 

6 – Como implementar ESG nas empresas?

A implementação envolve diagnóstico de impactos ambientais e sociais, definição de metas, criação de indicadores, monitoramento de resultados e elaboração de relatórios corporativos. O processo também exige integração entre áreas da empresa, acompanhamento regulatório e definição de estratégias ligadas à sustentabilidade e governança. 

7 – ESG vai continuar crescendo nos próximos anos?

As projeções indicam continuidade do crescimento da agenda ESG, principalmente por causa das novas regulamentações, das exigências de investidores e do avanço da economia verde. Temas como transição energética, mercado de carbono, governança corporativa e relatórios de sustentabilidade devem ganhar ainda mais espaço nas empresas nos próximos anos. 

8 – O mercado de trabalho em ESG está aquecido?

A demanda por profissionais ligados à sustentabilidade e governança aumentou em diferentes setores da economia. Empresas buscam especialistas capazes de atuar com gestão de riscos, relatórios ESG, compliance, mercado de carbono e estratégias ambientais alinhadas às novas exigências regulatórias. 

Na PUC Minas, diferentes cursos de graduação, pós-graduação e especialização dialogam com essas transformações do mercado e podem contribuir para a construção de uma trajetória profissional conectada aos desafios contemporâneos. 

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