Depoimentos, Carreira

Empreender sempre foi desafiador. No mercado que vem se desenhando, baseado em humanização, rápidas mudanças tecnológicas, e novos modelos de negócio e gestão, a empreitada é ainda maior. E mais amplas também são as oportunidades para quem souber identificar tendências, aprender estrategicamente e experimentar. 

Entrevistamos Adriano Taveira, ex-aluno da PUC Minas e dono de uma jornada que o coloca como um verdadeiro agente de transformação. Um bate-papo riquíssimo sobre mercado, carreira, tecnologia, desafios da área e muito mais. Confira!

Conheça o caminho de Adriano Taveira

entrevista de empreendedorismo com Adriano Taveira

A trajetória de Adriano Taveira começou na PUC Minas, na graduação em Tecnologia da Informação, e ganhou o mundo. Ao longo da construção de sua carreira, passou por renomadas instituições nos Estados Unidos, como Kellogg Executive Education e University of Virginia.

Tudo isso foi base para a criação de sua startup na área de inovação e inteligência artificial. Além disso, Adriano atua como consultor e professor. Quer saber mais sobre a história dele? Assista ao vídeo a seguir e continue a leitura. 

1. Qual foi o maior aprendizado que o empreendedorismo te trouxe até agora?

Sem dúvida, sobretudo no momento em que vivemos, foi a necessidade de me desfazer das minhas certezas, opiniões formadas, convicções e vieses e entender que é muito mais difícil empreender hoje em dia sem se desvencilhar dessas coisas. Estamos vivendo uma transformação geracional, comparável à descoberta do fogo, da eletricidade, e à Revolução Industrial, porém acontecendo em uma velocidade que desafia a nossa capacidade humana de mudança e adaptação. 

O que não significa “jogar fora” ou “apagar” os conhecimentos adquiridos ao longo da carreira. Mas significa se apoiar nessa trajetória para aprender melhor e mais rápido que os concorrentes. Tudo isso é o que mais dificulta para os empreendedores terem sucesso. A regra “90% transpiração e 10% inspiração” foi transformada em 90% aprendizado e 10% ação exponenciada pela aprendizagem.  O verdadeiro “superpoder” do empreendedor do futuro será a capacidade de absorver, processar, consolidar e comunicar o significado de tantas mudanças. Ou seja, aprender. Especialmente porque estamos entrando em uma era em que o valor gerado pelos profissionais estará muito mais nas perguntas e consultas feitas, e menos nas respostas a esses questionamentos.  

2. Como a sua formação acadêmica contribuiu para lidar com os desafios do mercado de startups?

É curioso como o mercado funciona sobre estereótipos e convenções criadas como fórmulas prontas do sucesso. E quem tem sucesso de verdade acaba desafiando essas convenções. Como um profissional 50+, assim como muitos na minha faixa etária, senti na pele o etarismo e o carimbo de “9h às 17h” ou de quem passa pela disrupção e nunca de quem a promove. 

O verão das startups criou a imagem, propositalmente romanceada, do empreendedor na casa dos 20 ou 30 anos que veio pra “quebrar tudo”, romper com o status quo e criar a próxima revolução tecnológica e econômica. É inegável que, especialmente durante a pandemia, alguns deles tiveram muito sucesso. O que ninguém conta é a quantidade de projetos ou startups brilhantes que falharam mesmo com um potencial grande.

Minha formação acadêmica me levou a perceber que é muito mais difícil obter sucesso sem entender como a macroeconomia global se move, e entender isso te torna motorista no mercado, enquanto ficar focado no seu mundo (ou seja, no micro) te torna passageiro.

Essa lição me ajudou a estruturar a minha startup para ser autossustentável no longo prazo (mesmo sem aportes de fundos de risco ou investidores-anjo). É preciso analisar a imagem completa ou a “big picture”, ir muito além do lado atraente e da moda dos algoritmos recém-lançados.   

3. O que te inspira a continuar inovando mesmo diante das dificuldades?

Por me forçar a aprender e a nunca achar que eu tenho o conhecimento suficiente para ser bem-sucedido (e admito que isso não é fácil), eu me dediquei a estudar o mundo da IA generativa bem no seu início, no segundo semestre de 2022. Embora a IA, dependendo do conceito que utilizarmos para defini-la, possa ter existido desde a década de 60, essa “encarnação” mais recente da tecnologia instigou minha curiosidade desde o primeiro momento em que a vi. 

Avançando no tempo, posso te dizer que tenho poucas dúvidas de que a IA generativa e suas novas aplicações irão transformar de forma ampla e profunda a forma como produtos e serviços são pensados, produzidos e comercializados. Então é esse potencial de transformação do mercado e da sociedade que me inspira a empreender mesmo em um contexto tão desfavorável. 

Por achar que o momento é o mais desafiador possível, mas por ter a convicção de que a era da IA generativa é transformacional, procurei e procuro achar soluções para todas essas dificuldades, como abrir um braço da startup na Califórnia e transferir nossa sede para lá, próxima ao Vale do Silício e do epicentro do desenvolvimento da IA. 

4. Que erros ou desafios foram fundamentais para o seu crescimento como empreendedor?

Os erros durante a minha carreira me levaram a questionar minhas certezas e os meus dogmas. Não só os meus, mas também as certezas e os dogmas das corporações em que trabalhei. Por isso, digo que os meus erros (e dos outros que tive a oportunidade de testemunhar) foram fundamentais. Além da atitude de não tentar escondê-los, mas de me obrigar a aprender e a evoluir com eles.  

Continua sendo um desafio constante não cair na tentação de encarnar o estereótipo de “bem-sucedido” ou de quem “a curva de resultados só subiu”. Isso não acontece com ninguém.  

5. Que dica você daria para quem está pensando em empreender durante ou logo após a graduação?

Vão te dizer por aí, “faça isso enquanto você não tem que pagar a escola do filho ou mesmo as despesas da própria casa.” Ou ainda “depois que você ficar velho já era”.  Minha opinião é que, se você tiver de fato um projeto de altíssimo potencial, tenha alguém com vivência do seu lado. Principalmente se ele ou ela tiver visões diferentes da sua. Dificilmente a unanimidade leva ao sucesso. Mas se o “projeto dourado” ainda não está nas suas mãos, não há problema algum nisso. 

Explore o mercado, trabalhe em empresas de diferentes portes. Dê o seu máximo sempre, mas não por ser uma frase de efeito. Tenha um olhar crítico, mantenha a mente aberta. Permita-se errar, desde que se comprometa a aprender com os erros. Não ligue para o que as pessoas vão dizer. Se soubessem o que já ouvi durante essa jornada… 

E, principalmente, cuidado com a “instagramização do conhecimento”. Cuidado com os caminhos fáceis, atalhos, métodos milagrosos de fortuna rápida (“que você só vai conhecer aqui, comprando o meu curso no meu canal”). Um dos elementos que mais me abriram os olhos nos últimos dois anos foi fazer um curso de “Como vender rápido e de forma viral na internet e fazer fortuna sem esforço!”. E sabe por que fiz esse curso? Sou pai de um adolescente que vai ter que fazer a escolha de uma carreira em 1 ou 2 anos e eu precisava conhecer essa fábrica de sonhos por dentro.  

Não podia ficar mais alarmado com o que descobri. É saudável sim, complementar a vida acadêmica com cursos complementares e conhecimento específicos. Mas há de se ter muito discernimento com o objetivo e com a “promessa” de curto prazo. Além do “track record” do instrutor/instituição. 99% dos “bem-sucedidos” em redes sociais, por aí, vendendo a fórmula da fortuna, na verdade, querem o seu dinheiro para deixá-los ricos rapidamente. 

6. Quais as principais competências comportamentais você aprendeu na PUC Minas e utiliza ainda hoje em sua carreira?

Senso crítico, observação, capacidade analítica, postura crítica construtiva. Essas são habilidades essenciais que em qualquer década farão a diferença. 

7. Como você enxerga o futuro da sua área e o papel da formação contínua para se manter relevante?

Tudo está sendo repensado. Trinta dias em IA podem trazer mudanças maiores do que 12 a 36 meses em outras tecnologias. Essa velocidade, mesmo pra quem faz da IA o seu dia a dia como eu, não é fácil de acompanhar. A obsolescência do conhecimento em meses é algo para o qual o ser humano ainda não está preparado para conviver.

Aprender não vai ser uma “fase” da vida. Você aprende muito em um momento e depois aplica esse aprendizado na maior parte da sua vida. Isso foi verdade por muito tempo, mas agora é outra realidade. É aprender de manhã, aplicar à tarde e tudo recomeçar no dia seguinte. De uma forma planejada e estruturada, mas contínua…

Quem se permitir parar de aprender estará em enormes dificuldades, não no futuro próximo mas hoje. A academia terá que se repensar integralmente. Mas creio que instituições mais conectadas aos mercados como a PUC Minas terão mais sucesso nessa jornada do que parte de seus concorrentes construídos sobre silos “soberanos” de conhecimento. 

Mais do que nunca, sem querer me prender ao jargão, o sucesso do passado não é garantia nenhuma de sucesso futuro. Não em tempos de transformações geracionais como os que vivemos.

Aprendizado sólido como base de uma carreira de sucesso

No decorrer da conversa, Adriano Taveira, filho da PUC, ressaltou a educação acadêmica e o diploma universitário como uma fonte de vivência estratégica e essencial para a formação de um profissional mais completo, com capacidade de senso crítico, interpretação de cenários, criatividade e flexibilidade. 

E mais, contou também como a Universidade o preparou para o mercado de trabalho e para promover o diálogo da tecnologia com os mais diversos setores da economia, tanto em termos de excelência técnica quanto de desenvolvimento humanístico — fatores indispensáveis ao empreendedorismo. 

O que nos permite concluir que, para obter os melhores resultados da IA e da tecnologia como um todo, é preciso contar sobretudo com a inteligência humana, a abertura às transformações e o olhar estratégico. 

A PUC Minas é a melhor escolha para você que quer ir além do óbvio e se preparar para um futuro de oportunidades, dinamismo e transformações. Assim como Adriano, tantos outros profissionais de destaque passaram por aqui. Confira mais depoimentos de ex-alunos. E se você planeja atuar em sua área a partir do que a inteligência artificial pode oferecer,  conheça os cursos de IA da Pós PUC Minas.

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