Que a inteligência artificial (IA) está cada vez mais presente no dia a dia da sociedade e do mercado, isso você já sabe. E que ela está impactando todas as áreas e redefinindo o profissional da Comunicação, isso você também sabe.

A pergunta é: como se preparar para estar à frente dessas transformações, assumindo papéis estratégicos e propondo soluções inovadoras?
O caminho mais seguro é a qualificação profissional. Por isso convidamos o professor Rodrigo Fortini para bater um papo sobre tendências, mercado, oportunidades e desafios que a IA vem trazendo para a área da Comunicação. Rodrigo é professor da graduação e da pós na PUC Minas, coordenador do Curso de Publicidade e Propaganda do campus Lourdes e da pós-graduação em Comunicação e Inteligência Artificial.
Você que atua na Comunicação precisa participar desta conversa. Confira a entrevista.
Como a IA impacta as profissões da área de Comunicação?
Entendo a IA como uma parte da revolução digital que a gente vem vivendo desde que a informática entrou em nossa vida. Ela requalifica o trabalho do profissional de qualquer área da Comunicação, seja relações públicas, publicidade, jornalismo, audiovisual.
Sei que existe uma onda muito grande de preocupação. Eu costumo dizer que são os “apocalípticos”, que acham que a inteligência artificial vai matar o profissional. Analisando todas as grandes revoluções industriais num curto prazo, tem-se um pequeno impacto na taxa de desemprego, mas depois isso se acomoda e voltam as taxas normais. Por quê? Porque, na verdade, esse processo não tira emprego, e sim requalifica.
Então a gente tinha um determinado espectro de ferramentas para atuar, e agora a gente tem um novo espectro. Vou fazer um paralelo com quando nos foi entregue o pacote Adobe, com Photoshop, InDesign e Illustrator. Até então, as pessoas usavam o QuarkXPress, o CorelDRAW. E, antes deles, antes da informática, faziam o trabalho na prancheta. A gente mudou o jeito de fazer. A lógica com a inteligência artificial é a mesma, ou seja, ela vai mudar o jeito de fazer as coisas.
E por que eu chamo de requalificação? Porque vamos aprimorar a nossa entrega, fazendo com que ela seja mais rápida ou melhor. Além de fazer com que nossos serviços sejam mais produtivos, acredito que a próxima fronteira é a qualidade: como entregar mais rápido e melhor.
Quais as principais habilidades e competências o profissional deve ter?
Em termos de competências e habilidades, para mim, a maior delas, sem dúvida nenhuma, é a flexibilidade profissional — no sentido de não olhar com desdém nem com deslumbre para a tecnologia. É ter um distanciamento das duas pontas, porque qualquer uma das duas é exagerada. Essa flexibilidade inclui também a seguinte lógica: não é se vamos ou não aderir à inteligência artificial, e sim como e em que medida faremos isso em nosso trabalho, o que faz sentido e o que não faz.
Outro ponto é o hardware mesmo. A gente precisa investir no conhecimento. E não é o conhecimento de saber um prompt ideal para perguntar algo ou para pedir algo a uma IA. É o conhecimento sobre o que eu estou pedindo, sobre o que eu estou interagindo com a IA, para analisar se a entrega está me atendendo, se não está e como eu vou mudar.
Ela é muito mais um assistente — e tem que ser usada dessa forma — do que um oráculo. Então, se você não tem o conhecimento, vai usar a IA como oráculo e vai ser rapidamente substituído, descartado. Realmente não vão precisar de você. Agora, se você usar a IA como assistente, o oráculo é você.
Como a pós em Comunicação e Inteligência Artificial da PUC Minas prepara os estudantes para as transformações trazidas pela IA?
Nós desenvolvemos um curso que mescla teoria e prática o tempo todo. A proposta é que toda disciplina tenha a parte teórica em uma aula, com uma aplicação prática na sequência. E esse curso não foi desenhado para ser exclusivamente uma pós sobre ferramenta. Tem a parte crítica, a parte de conhecimento e a base teórica. Pensamos em um aprendizado que se aplique.
Isso, na verdade, é um traço da PUC Minas, está no DNA da instituição. Os cursos não são totalmente teóricos, porque a Universidade entende que a teoria é superimportante, mas ela valoriza a prática.
Portanto, o curso prepara o estudante para essa transformação, porque ele não está qualificando um aluno apenas para mexer no ChatGPT, no Midjourney ou em tantas outras IAs disponíveis por aí. O aluno tem a teoria, a lógica por trás e aprende como usar tudo isso. É como no exemplo dos softwares de design: as ferramentas mudaram, mas quem sabe de direção de arte, design e diagramação lida bem com isso.
Na sua visão, qual o melhor momento para o profissional da Comunicação iniciar uma pós em inteligência artificial?
Esse curso especificamente pode ser feito por profissionais em todos os momentos da carreira, porque, como esse é um assunto de agora, não importa muito se você formou há dois anos ou há 20 anos. Então o melhor momento para começar é agora.
A inflexão tecnológica está posta, ela está acontecendo aqui e agora, e as pessoas têm duas opções: ou você vai ser um pioneiro, um dos primeiros a entrar nela; ou você vai chegar depois e ser um seguidor. Então depende de onde você quer estar: se você quer ser quem vai puxar essa inflexão, quem vai implementar isso nas áreas da Comunicação, ou vai ajudar a implementar; ou se você vai ser a pessoa que vai seguir o que alguém implementou.
Por que escolher a pós em Comunicação e Inteligência Artificial da PUC Minas?
Vou falar dos principais motivos, indo do macro (a Universidade) ao micro (o curso). Estamos falando de uma universidade com mais de 65 anos de história, sempre na ponta da tecnologia. E ela é também tradicional. A meu ver, a maior mística da Universidade é ser tradicional e inovadora ao mesmo tempo.
Outro aspecto é o tamanho da Universidade, não somente com relação aos milhares de alunos, estrutura etc., mas também no que se refere à sua solidez. Porque, quando uma instituição como a PUC Minas resolve lançar um curso, isso não é feito de qualquer forma. Existe muito processo aqui dentro para “botar um curso na rua”.
Costumo dizer que aqui ninguém erra e ninguém acerta sozinho. Tudo passa por uma equipe grande e devidamente qualificada. Então, até chegarmos a uma matriz curricular, ela foi muito pensada, discutida e aperfeiçoada. É um processo realmente detalhado.
Já sobre o curso propriamente dito, o equilíbrio entre a teoria e a prática é um diferencial da nossa pós. A PUC Minas consegue entregar muito bem as duas esferas. Vemos no mercado instituições com propostas ou muito teóricas ou muito técnicas. O nosso curso abrange os dois, oferecendo esse balanceamento entre teoria e prática, entre a reflexão e a “mão na massa”.
Como está o olhar do mercado para esses profissionais da Comunicação que possuem esse equilíbrio entre teoria e prática?
Geralmente quem está no início da carreira se preocupa mais com a ferramenta — tanto o contratante quanto o profissional. Pensando em curto prazo. Agora, para quem está pensando em níveis de carreira mais elaborados, isto é, se você está pensando em ser coordenador, gerente, diretor, ter esse equilíbrio é fundamental. Porque a pessoa vai entender o ferramental, mas ela vai deixar de ser puramente técnica e passar a fazer reflexão, entender a hora que funciona, a hora que não, como aplicar, como não aplicar.
Considero uma miopia observar apenas a ferramenta se você está no início de carreira. Para ter uma progressão profissional, você precisa ir além das ferramentas e olhar para a construção mesmo da sua jornada. Começando com o técnico, mas mirando lá na frente e já desenvolvendo o conhecimento mais elaborado.
Quais dicas você pode dar a profissionais para se adaptarem a este novo cenário da IA na Comunicação?
A primeira dica é não ser resistente às mudanças que estão acontecendo, principalmente com relação à IA e às tecnologias. O uso de inteligência artificial, não só na nossa prática profissional, mas no nosso dia a dia, já se impôs. A questão que a gente vai discutir agora é em que medida. A principal dica é estar aberto a essas mudanças.
A segunda é conhecer a fundo a ferramenta, e não apenas a operá-la. É aprender a pensar a ferramenta, a olhar para ela com senso crítico e estratégia. Senão, você vai virar uma pessoa que não vai progredir na carreira, que será facilmente trocada por outra quando o seu salário ou o que você cobra do seu cliente começar a ficar muito caro. Ninguém paga bem para alguém que opera a ferramenta. Paga-se bem para quem cria a ferramenta, para quem sabe usar a ferramenta de um jeito melhor. Em resumo, é não cair na tentação de ser só ferramental, e olhar a carreira em curto, médio e longo prazos.
Na sua visão, qual o papel da IA na Comunicação do futuro?
É complexo fazer uma previsão, então vou partir da perspectiva do que eu desejo que seja e do que vejo se desenhando.
Desejo que o papel da inteligência artificial seja para conseguirmos entregar serviços mais eficientes, melhorar a qualidade das campanhas publicitárias, das reportagens feitas — sejam elas em áudio, vídeo ou impressas —, para alcançar um relacionamento relevante com os públicos. É o que as relações públicas fazem: aperfeiçoar a qualidade dos vídeos e assim por diante.
Desejo muito que a inteligência artificial entre com esse viés de melhoria de qualidade, para todos os perfis de profissionais. Por exemplo, na minha área, a publicidade. Temos aquele profissional ligado no 220V, e a coisa tem que acontecer muito rápido: toda hora, mil coisas ao mesmo tempo. Existe também aquele que é muito bom para campanhas mais conceituais. A IA pode melhorar o trabalho dessas duas pessoas de formas diferentes.
E então, gostou do bate-papo com o professor Rodrigo Fortini? Como vimos, a IA não vai parar e vai seguir transformando a Comunicação e o mercado de trabalho. Por isso, você precisa acompanhar as mudanças, desenvolver habilidades e competências e construir cada etapa da sua carreira com base nesse novo cenário.
Se você não quer perder tempo e já está de olho nesse passo importante da sua jornada, veja mais informações sobre a pós-graduação em Comunicação e Inteligência Artificial da PUC Minas.




