Depoimentos

A Engenharia Elétrica sempre esteve no protagonismo do desenvolvimento econômico e social e sempre contou com um mercado exigente e aquecido. Frente às transformações e às novas demandas globais, como a eficiência energética, não é diferente. 

Para conversarmos mais sobre esses cenários, formação e construção de carreira na área, convidamos Cicéli Martins, engenheira eletricista formada no curso de Engenharia Elétrica na PUC Minas e atual coordenadora do Projeto Cemig Agro. Ela é mestra em Sistemas Elétricos de Potência, professora da Pós PUC Minas e lançou recentemente o livro “Energia em Transformação – A Contribuição das Mulheres para a Transição Energética” em que é co-autora. 

A carreira de Cicéli é uma inspiração para todos, sobretudo para as mulheres, que historicamente enfrentam desafios relacionados a gênero no mercado de trabalho. Quer conhecer essa trajetória brilhante, repleta de dedicação e realizações? Confira a entrevista. 

1. Conte-nos por favor pontos marcantes de sua trajetória, desde a formação na PUC Minas até atualmente.

Minha trajetória profissional começou com o curso técnico em Eletrotécnica, que contribuiu para reafirmar meu interesse em seguir na Engenharia Elétrica e me preparou para ingressar na PUC Minas.

Na Engenharia Elétrica da PUC Minas, recebi uma formação sólida e multidisciplinar, que me possibilitou desenvolver tanto competências técnicas quanto a consciência crítica sobre o papel da energia no desenvolvimento social e econômico da nossa sociedade. A partir dessas importantes bases, construí minha carreira em meio a desafios e conquistas em diversas áreas do setor elétrico.

Iniciei a carreira na Cemig, em áreas técnicas relacionadas a fluxo de potência e proteção de sistema elétrico. Gradualmente evolui para funções de liderança técnica de planejamento de operação de alta e média tensão; estudos de acesso de clientes ao sistema elétrico da distribuidora; e planejamento da expansão de média tensão.  

Entre os desafios desse período, destaco a estruturação dos processos que viabilizaram o crescimento da geração distribuída em Minas Gerais, e a integração do Plano de Desenvolvimento da Distribuidora (PDD), que se materializa em investimentos expressivos no sistema elétrico.

Além da Cemig, também atuei na Enel Brasil como Head de Permissões e Projetos de Alta Tensão, gerindo equipes em quatro empresas da distribuidora (SP, RJ, GO e CE). Retornei à Cemig como superintendente, liderando áreas de construção de redes de média tensão. Atualmente, coordeno o Projeto Cemig Agro — uma iniciativa estratégica voltada à transição energética e à melhoria da qualidade do fornecimento para o agronegócio mineiro.

Paralelamente, mantenho uma atuação acadêmica como professora de pós-graduação na PUC Minas e participo ativamente de fóruns técnicos como o CIGRE, no qual sou secretária do Comitê de Estudos C6, que estuda Sistemas Ativos de Distribuição e Recursos Energéticos Distribuídos. Nesses comitês, coordenei grupos de trabalho sobre geração distribuída e já representei o Brasil em eventos internacionais como a Bienal do CIGRE em Paris e o Symposium Chengdu, na China, além de contribuir com a produção de diversos materiais técnicos.

Entre os marcos da minha trajetória, destaco a premiação no SNPTEE, o reconhecimento internacional de projetos de inovação na Enel e a coordenação do SENDI 2025, o maior evento de distribuição de energia da América Latina. Também em 2025 atuei como coautora do livro “Energia em Transformação – A Contribuição das Mulheres para a Transição Energética”, lançado durante o evento T&D Energy em São Paulo. A obra reúne relatos de 55 mulheres atuantes no setor energético brasileiro e propõe uma visão integrada e inclusiva da transição energética, destacando a importância da diversidade para impulsionar mudanças estruturais e culturais no setor. 

2. Como as oportunidades de prática ao longo da graduação em Engenharia Elétrica contribuíram para a sua carreira?

As experiências práticas durante a graduação foram fundamentais para transformar o conhecimento teórico em habilidades aplicáveis. As aulas de laboratório, aliadas à experiência dos professores com atuação no mercado, me proporcionaram uma vivência concreta dos desafios enfrentados no setor elétrico. 

Ressalto que tais vivências foram oportunidades importantes que me ensinaram a trabalhar em equipe, a resolver problemas reais e a tomar decisões com base em dados e análises técnicas — competências que continuam sendo essenciais na minha carreira. A prática acadêmica foi, sem dúvida, o ponto de partida para uma trajetória pautada pela busca de soluções.

3. Que competências ou aprendizados adquiridos na PUC Minas você continua aplicando no dia a dia?

Durante a graduação, conciliei uma rotina intensa de estudos e responsabilidades profissionais, o que exigiu uma gestão de tempo rigorosa, disciplina e resiliência. Aprendi a lidar com situações de pressão, a priorizar tarefas e a manter o foco mesmo diante de múltiplas demandas. Esses aprendizados continuam sendo essenciais no meu dia a dia, especialmente na liderança de equipes e na condução de projetos estratégicos de grande escala.

Além disso, a PUC Minas me proporcionou uma formação ética e multidisciplinar, que aplico constantemente na mediação de interesses entre áreas técnicas, regulatórias e sociais. O pensamento sistêmico, a capacidade de análise crítica e o compromisso com soluções sustentáveis são valores que levo comigo desde a graduação e que continuam guiando minha atuação no setor elétrico.

4. Como você considera que a PUC Minas te preparou para os desafios do mercado?

A PUC Minas me preparou para os desafios do mercado ao oferecer uma formação técnica de excelência, aliada ao desenvolvimento de competências comportamentais fundamentais. Conciliar uma graduação exigente com responsabilidades profissionais desde o início da carreira me ensinou a lidar com pressão, a organizar o tempo com eficiência e a manter o foco nos resultados.

Esse contexto me ajudou a desenvolver resiliência, disciplina e autonomia — habilidades que hoje são indispensáveis na liderança de equipes, na gestão de projetos complexos e na tomada de decisões estratégicas. A abordagem multidisciplinar da Universidade também contribuiu para que eu tivesse uma visão integrada do setor elétrico, buscando compreender os aspectos técnicos e os impactos sociais, econômicos e ambientais das soluções adotadas.

A formação na PUC Minas foi, sem dúvida, um alicerce importante para que eu pudesse atuar com segurança e responsabilidade em um setor em constante transformação.

5. Como você avalia o impacto da educação continuada na construção de uma carreira sólida e ascendente na sua área?

A educação continuada é, na minha visão, um dos principais pilares para a construção de uma carreira sólida e relevante. O setor elétrico está em constante transformação, impulsionado por avanços tecnológicos, mudanças regulatórias e novas demandas sociais. Por isso, manter-se atualizado é uma necessidade estratégica.

Após a graduação, continuei meus estudos na área de Gestão Empresarial e Sistemas Elétricos de Potência, além de cursos em áreas emergentes como Inteligência Artificial e Inovação. Essa formação complementar me permitiu ampliar minha atuação para áreas de gestão e estratégia, além de fortalecer minha capacidade de liderar iniciativas de transformação digital e de sustentabilidade.

6.Quais dicas você pode dar a quem está iniciando a carreira em Engenharia Elétrica e de Energia?

Aos que estão começando, minha principal dica é cultivar uma visão ampla sobre o papel da energia na sociedade. A Engenharia Elétrica vai muito além dos cálculos e projetos — ela é uma ferramenta de transformação social, econômica e ambiental.

Invista em formação contínua, desenvolva habilidades interpessoais e esteja atento às tendências do setor, como a transição energética, a digitalização das redes e a integração de fontes renováveis. Busque experiências práticas, participe de eventos técnicos e mantenha sempre a curiosidade ativa.

E, acima de tudo, tenha propósito. A Engenharia Elétrica exige precisão e lógica, mas também exige sensibilidade para entender os impactos das nossas decisões. Com dedicação, ética e visão de futuro, é possível construir uma carreira que contribua verdadeiramente para o desenvolvimento de toda nossa sociedade. 

Gostou da história de Cicéli Martins? Bacana demais, não é mesmo? Com as dicas que ela trouxe, você teve a oportunidade de aprender pela ótica de quem está no mercado, enfrentando desafios e aproveitando oportunidades que te esperam também. 

Se quiser conhecer mais relatos de filhos da PUC veja o infográfico Personalidades que Estudaram na PUC Minas e continue acompanhando o Conexão PUC Minas. 

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