A maneira como uma criança conhece o atendimento odontológico pode impactar profundamente seus hábitos de higiene bucal e os cuidados com a saúde. O caráter formativo e preventivo da Odontopediatria a torna uma área essencial dentro da Odontologia.
E você sabia que esta é uma das especialidades com maior potencial de crescimento e alta demanda do Brasil?
Mais do que a excelência técnica, é um dos segmentos da Odontologia que mais exigem um olhar humanístico e integral do paciente. Trabalhar com crianças e adolescentes tem diferenças marcantes em relação aos demais públicos. Por isso, especializar-se é o caminho mais firme para uma atuação qualificada e para o sucesso profissional.
Continue sua leitura, a fim de conhecer mais a respeito da Odontopediatria e como se inserir na área.
O que é Odontopediatria?
A Odontopediatria é a especialidade da Odontologia responsável pela saúde bucal de bebês, crianças e adolescentes, de até 15 anos. E, numa abordagem mais recente, tem atuado também no diagnóstico de patologias sistêmicas com repercussão na cavidade oral e nos cuidados odontológicos de pacientes infantis com deficiência e determinadas malformações.
Em termos técnicos, o odontopediatra desempenha a mesma função que um clínico geral, mas de forma direcionada ao público infanto-juvenil. A atuação não se restringe ao consultório particular, abrangendo também áreas clínicas, hospitalares e públicas.
É uma área diversificada, que integra conhecimentos de outros campos como a Psicologia Infantil, a Fisioterapia e a Pedagogia, tendo um papel formador muito importante, visto que é ela quem introduz a Odontologia na vida e na rotina da criança. O odontopediatra é o profissional da saúde que vai mostrar e ensinar os primeiros cuidados e promover o contato inicial da criança com a saúde bucal, acompanhando todo o desenvolvimento da estrutura orofacial dos pacientes.
Isso requer um desenvolvimento humanístico profundo e bem-pavimentado, para além da excelência técnica. Vamos conversar mais a esse respeito nos próximos tópicos.
O que faz um odontopediatra?
A Odontopediatria é uma especialidade que exerce a clínica geral e dialoga com diversas outras áreas ao atender crianças, adolescentes, bebês e gestantes.
E como isso se materializa na prática clínica? É o que vamos te mostrar agora, confira!
Tratamento de cáries e restauração
A doença cárie é um dos quadros mais comuns na infância e pode surgir a partir do momento em que começam a crescer os dentes do bebê. Isso porque até mesmo os remanescentes de leite materno podem alimentar bactérias que causam a cárie.
Muitas vezes, as pessoas acreditam que, por ainda não comer alimentos sólidos ou açucarados, o bebê está livre do risco. Mas não é bem assim.
Outros elementos que podem gerar cárie são: o consumo exagerado de açúcar, a escovação incorreta e até mesmo o baixo consumo de água.
A Odontopediatria entra com procedimentos de eliminação da doença e reconstituição de seu formato original com materiais mais modernos. Essa conduta é indispensável, já que o dente de leite mesmo “caindo” pode comprometer a saúde do dente definitivo.
Endodontia em dentes decíduos
Há casos em que a parte interna do dente decíduo precisa ser tratada, como ocorrência de cárie profunda, inflamação ou infecção irreversível ou tecidos necrosados. Esses são quadros em que normalmente o tecido infectado é totalmente removido, os canais tratados e assim mantém-se o dente por um maior período, até que ele seja substituído pelo definitivo.
Mesmo sendo um tratamento razoavelmente invasivo, a Odontopediatria tem meios de administrar os incômodos na criança, o que exige bastante conhecimento das habilidades comportamentais e socioemocionais da criança.
Traumatismos dentoalveolares
O termo dentoalveolar refere-se ao complexo anatômico formado pelos dentes e pelo osso de suporte (processo alveolar), bem como pelo ligamento periodontal e pela gengiva.
A infância e a adolescência são marcadas por bastante queda. Seja no desenvolvimento, aprendendo a andar, seja em brincadeiras, aventuras e esportes. Tudo isso facilita a incidência de traumas dentários e alveolares, conhecidos popularmente como “quebra de dentes”.
O odontopediatra está apto a tratar os mais variados tipos de lesão, entre elas: trinca ou fratura do esmalte do dente, com ou sem exposição da polpa do dente; fraturas alveolares; fraturas radiculares e fratura coronorradicular.
Ortodontia preventiva e interceptiva
A Ortodontia na infância e na adolescência tem fundamentalmente o papel de identificar possíveis alterações dentárias e esqueletais e, nos casos possíveis, prevenir e interceptar más oclusões. Evita-se, assim, o surgimento de problemas e quadros mais sérios que teriam de ser tratados por meios cirúrgicos. Quando isso ocorre, entra em cena a Odontologia Interceptiva, cuja função é paralisar a evolução do problema identificado.
Desse modo, a Ortodontia Preventiva avalia como está acontecendo o desenvolvimento da arcada e da estrutura orofacial da criança. Com esse acompanhamento, é possível reconhecer quadros como más oclusões, bruxismo infantil e suas sequelas.
Ambas estão na área de atuação do odontopediatra, bem como o encaminhamento ao ortodontista nos quadros mais complexos e que requerem a atuação do especialista.
Atendimento de pacientes com deficiência ou neurodivergência
O manejo comportamental e a capacidade de lidar com condições específicas abrem o leque de quem atua na Odontopediatria para mais um público: pessoas no início da fase adulta, com problemas comportamentais, deficiência ou quadros de neurodivergência.
Os cuidados da empatia e da atuação humanística são pilares da Odontopediatria. Isso possibilita garantir o direito da pessoa com deficiência ao acesso seguro e adequado às condições de cada paciente.
Odontopediatra vs. dentista clínico geral: qual a diferença?
O profissional graduado em Odontologia é apto a exercer a Odontologia Clínica e a atender pacientes de todas as idades. Ele pode sim realizar diagnósticos, tratamentos, procedimentos de rotina e procedimentos de todas as naturezas em crianças e adolescentes.
O dentista clínico geral possui uma visão generalista da área, diferentemente do odontopediatra que se especializa na promoção da saúde bucal infanto-juvenil.
Dessa forma, a abordagem, o conhecimento aprofundado do desenvolvimento craniofacial e as habilidades de relacionamento com um público tão específico ficam a cargo da Odontopediatria.
Sobretudo, em quadros mais complexos e na introdução da Odontologia no universo simbólico das crianças, além da orientação das famílias.
Onde trabalha o odontopediatra?
As possibilidades de atuação para o dentista das crianças e dos adolescentes são bem vastas. O profissional pode construir sua carreira nos mais diversos formatos, além de poder atuar no setor público, no setor privado e no Terceiro Setor.
Dentre as principais opções, estão:
- Clínicas odontológicas, como funcionário ou colaborador.
- Clínicas odontológicas, como proprietário.
- Hospitais e demais unidades de saúde.
- Consultórios.
- Saúde pública.
- Educação.
- Pesquisa.
- Consultoria clínica.
- Órgãos de classe (como CRO e CFO).
- Associações odontológicas.
Quanto ganha um odontopediatra?
O mercado de trabalho tem se mostrado bem favorável aos dentistas infantis. O Brasil conta hoje com uma população de mais de 70 milhões de crianças e, de acordo com o CFO, apenas 9.956 odontopediatras.
Isso mostra um campo gigantesco a ser explorado, alta valorização da profissão e, consequentemente, remuneração melhor.
Conforme a Lei nº 3.999/61, o piso salarial dos dentistas é de três salários mínimos. Trata-se de uma referência que garante uma remuneração básica aos profissionais, mas aspectos como região, tipo de contrato, setor ou senioridade podem alterar bastante esses valores.
E, segundo o Portal do Salário, empresa de pesquisas salariais, a média mensal para o odontopediatra é de R$ 4.969,05, para uma jornada de 27 horas semanais.
Atualmente, tramita na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, uma proposta de reajuste do piso.
Outros fatores de destaque são a baixa objeção quanto a preços e a fidelidade dos clientes. Afinal, tem-se o impacto de uma boa relação construída com o paciente como o principal motivador. O público dos dentistas infantis conta com essa especificidade, e o valor financeiro, em geral, não é o que mais impulsiona os contratos, e sim o valor humano.
Como se tornar odontopediatra?
Assim como nas demais especialidades da Odontologia, para se tornar um dentista infantil é exigido a especialização na área.
Basicamente, em termos técnicos, o que você precisa é:
- ter graduação concluída, em um curso autorizado pelo MEC;
- possuir registro válido no CRO da sua região;
- concluir a pós-graduação em Odontopediatria, em uma instituição de ensino credenciada pelo MEC;
- conhecimento sobre o tema.
E em relação às soft skills, quais são essenciais para uma atuação qualificada?
- Comunicação.
- Empatia.
- Resiliência.
- Flexibilidade.
- Respeito à cultura da criança.
- E, principalmente, inteligência emocional.
FAQ — Perguntas frequentes sobre Odontopediatria
1) O que é Odontopediatria?
É a área da Odontologia que cuida da saúde bucal de bebês, crianças e adolescentes, atuando de maneira prioritária na prevenção. Iniciar os cuidados de forma precoce firma hábitos como os de higiene e dieta, além de identificar possíveis problemas adicionais, como os ajustes necessários.
2) Qual a diferença entre o odontopediatra e o dentista clínico?
Ambos fornecem ao paciente um atendimento generalista, que inclui diagnóstico, tratamento, acompanhamento e prevenção. A diferença fundamental é que o clínico cuida de pacientes adultos, e o odontopediatra cuida de crianças e adolescentes, do nascimento até os 15 anos de idade.
3) A partir de quando a criança deve ir ao odontopediatra?
Em geral, o recomendado é que a primeira consulta ocorra quando os primeiros dentinhos começam a apontar.
Com o avanço das tecnologias empregadas na Odontologia, é possível monitorar o desenvolvimento do bebê, ao longo da gestação, e identificar precocemente qualquer tipo de alteração.
4) O que faz um odontopediatra no dia a dia?
A rotina do profissional envolve todos os procedimentos de prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças e irregularidades bucais dos pequenos.
Por exemplo: ensino dos cuidados bucais de escovação e manuseio do fio dental, tratamento da doença cárie, cirurgias, extração de dentes decíduos (dentes de leite), avaliação da oclusão, acompanhamento do desenvolvimento craniofacial da criança e do adolescente, entre outros.
5) Quanto ganha um odontopediatra?
A remuneração básica de um dentista, por lei, é de três salários mínimos; porém há inúmeros fatores que podem elevá-la. De acordo com o Portal do Salário, a média de salário para um odontopediatra é de R$ 4.969,05 mensais, para uma jornada de 27 horas semanais em média.
6) Preciso de especialização para atender crianças?
Dentistas clínicos e de outras áreas são habilitados para atender crianças, de acordo o CFO (Conselho Federal de Odontologia) e com o CRO (Conselho Regional de Odontologia). As exigências básicas são ser formado em Odontologia e estar registrado nos conselhos.
7) O odontopediatra atende pacientes com deficiência ou necessidades específicas?
Sim, pois, em razão do desenvolvimento de habilidades e competências socioemocionais para lidar com o público infantil e adolescente, o profissional torna-se também capacitado no atendimento odontológico a crianças com condições médicas e transtornos de neurodesenvolvimento como TEA, TDAH, além síndromes ou deficiências que exigem manejo clínico diferenciado e, muitas vezes, em ambiente hospitalar.
8) Como fazer pós-graduação em Odontopediatria?
As condições prévias são ter graduação em Odontologia (reconhecida pelo MEC) e registro no CRO (Conselho Regional de Odontologia). Para a escolha do curso de especialização, é fundamental avaliar se a instituição é credenciada pelo MEC, a grade curricular, a estrutura do curso e a reputação dele no mercado de trabalho.
E, então, gostou de obter mais informações sobre a Odontopediatria? Essa é uma ótima direção de carreira para quem se interessa em explorar a Odontologia pela perspectiva do universo infantil e da psicopedagogia. Sem contar as oportunidades de trabalho em diversos setores e formatos.
Para tanto, a excelência profissional vai fazer toda a diferença. Ainda que seja um mercado com elevada demanda, é indispensável uma formação sólida, estratégica e humanizada. Tudo isso e a estrutura de ponta que uma pós em Odontopedia exige você encontra na PUC Minas.
Confira aqui todas as informações sobre a Pós-Graduação em Odontopediatria da PUC Minas.




