Vida Acadêmica, Dicas

A chegada do grande momento de escolher uma profissão e começar a construí-la é um rito de passagem na vida dos jovens adultos. São muitas emoções misturadas, formadas pela alegria da conquista e da descoberta, além das mudanças que acompanham a entrada na universidade.

As expectativas, os desafios, as incertezas, tudo isso por si só já mexe com as emoções em certa medida. O sinal de alerta é quando isso pesa além da conta e se desdobra em quadros de ansiedade. 

Infelizmente, a incidência entre universitários tem sido alta no Brasil. Para se ter uma ideia, segundo uma pesquisa global realizada pela Chegg.org, 65% dos jovens universitários afirmaram sentir algum sintoma de ansiedade diariamente. 

Precisamos entender o que é ansiedade, como evitá-la e como tratar. Venha conosco para essa conversa. 

O que é ansiedade? 

É comum associar ansiedade àquela expectativa de que algo aconteça logo, como quando estamos aguardando uma viagem ou a chegada de uma data específica. Essa sensação é comum e, em geral, não representa um problema de saúde.

A ansiedade de que estamos falando aqui é relacionada ao medo e preocupação excessivos em relação à vida em geral ou a algo específico. Trata-se de um transtorno psíquico que pode comprometer a qualidade de vida, as relações e a carreira de uma pessoa. Nos tópicos a seguir, você vai entender melhor o que é a ansiedade. 

Tipos de ansiedade

A ansiedade apresenta tipos variados, que podem acontecer isoladamente ou em conjunto. Conheça a seguir os mais incidentes na fase adulta.

Ansiedade súbita

Esta variação vem de uma espécie de pânico, que pode ser causada por um estímulo ou surgir sem gatilho aparente — por exemplo, aquela sensação de que algo ruim vai acontecer. Em geral manifesta sintomas físicos, como os que você verá a seguir. 

Ansiedade relacionada ao espaço físico 

Este tipo também tem traços de pânico e diz respeito ao medo ou agonia de estar em locais muito abertos ou pequenos e fechados. O entendimento da pessoa é de que algo pode acontecer e ela não está no controle da situação. Isso piora quando ela não está na companhia de alguém de confiança. 

Por exemplo, em um lugar fechado, ela sente que não conseguirá sair no caso de um incêndio. Esse é um medo comum, que serve como alerta e precaução. No caso da ansiedade, trata-se de um medo desproporcional, que inviabiliza a realização de atividades. A pessoa se priva de estar em locais como um ônibus ou uma praça. 

Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)

Aqui a ansiedade está relacionada a uma preocupação intensa e persistente acerca das questões do cotidiano, de dificuldades ou desafios enfrentados no dia a dia. A pessoa não consegue tirar o foco dessas situações e tem a mente ocupada por pensamentos preocupantes, tais como: medo da perda do emprego, preocupação com a saúde dos filhos, sofrimento antecipado por uma prova na universidade, entre outros. 

Como essa preocupação é exacerbada e acontece o tempo todo, a pessoa não consegue relaxar, desligar e desconectar a mente desses pensamentos. É aí que surgem sintomas como os problemas com sono, a sensação de cansaço constante, a dificuldade de concentração, entre outros, listados na seção a seguir. 

Fobia social (Transtorno de Ansiedade Social)

Neste quadro a ansiedade está ligada à tensão, ao desconforto e a um possível medo do convívio com outras pessoas. Estar em grupo, interagir ou se apresentar pode causar um grande mal-estar no indivíduo que enfrenta a fobia social. 

Como exemplos deste tipo, podemos citar: medo de passar vergonha, pânico de falar em público, excesso de timidez, preocupação com o julgamento alheio, entre outros. 

Ansiedade específica

A ansiedade aqui se dá de forma direcionada a algo específico. Por exemplo: fobia de insetos e animais, medo de andar de avião, medo de água, pânico de lugares fechados 

Na maioria das vezes, a pessoa não tem uma explicação lógica para esse medo, e o que o torna preocupante é quando ele prejudica a qualidade de vida do indivíduo ou o prejudica em tarefas cotidianas, como alguém que não consegue se deslocar até o trabalho por pânico de andar de carro ou de ônibus. 

Sintomas mais comuns 

Agora que você entendeu melhor o que é ansiedade, vamos falar sobre os sintomas. Eles podem se manifestar tanto física quanto psicologicamente. Entre os mais frequentes estão:

  • Insônia;
  • Dificuldade de concentração;
  • Irritabilidade;
  • Dificuldade em manter contato social;
  • Sensação de agitação elevada;
  • Suor em excesso;
  • Desconforto digestivo, como enjoo, dor de estômago e diarreia;
  • Tensão muscular, principalmente nas regiões do pescoço e dos ombros;
  • Falta de ar e palpitações. 

A ansiedade pode se manifestar ainda em sintomas como crises de choro, dificuldade para se expressar de forma clara e coerete, dores na mandíbula, compulsão alimentar e esquecimentos. Eles podem acontecer de maneiras distintas nas pessoas. 

Para um diagnóstico preciso, o profissional vai observar a incidência e a intensidade, além de outros aspectos relativos ao quadro. 

O que pode causar ou agravar a ansiedade na graduação? 

Alguns fatores podem causar ou acelerar os sintomas de ansiedade. É preciso ter atenção para evitá-los e, quando isso não for possível, lidar com eles da melhor maneira. Veja os que se destacam: 

  • Excesso de autocobrança;
  • Comparação com os outros;
  • Dificuldade de organizar a rotina.
  • Abandono da vida social e familiar;
  • Falta de descanso; 
  • Dificuldades financeiras;
  • Pressão externa por resultados, como boas notas. 

Por que você deve prevenir e tratar a ansiedade?

As manifestações da ansiedade não devem ser minimizadas ou ignoradas. É a sua saúde, o seu bem-estar e as suas realizações que estão em jogo. Os motivos abaixo mostram por quê:

  • O desequilíbrio das suas emoções pode afetar suas relações pessoais e profissionais.
  • A ansiedade pode deturpar a sua visão de realidade, inclusive de si mesmo, culminando em situações como a síndrome do impostor. 
  • O estresse gerado afeta também sua saúde física e o desempenho em atividades comuns do dia a dia e da universidade. 
  • A ansiedade pode ser fator de risco para outros quadros, como a depressão e a síndrome de burnout. 

E o principal: você precisa e merece estar bem para colher os frutos de toda a sua dedicação e para realizar seus sonhos e projetos. Sem saúde, isso fica muito difícil. 

Como lidar com a ansiedade no dia a dia? 

No decorrer dos dias, ali no cotidiano das tarefas, dos compromissos, de tantas responsabilidades, como é possível atenuar e até evitar os efeitos da ansiedade? Temos dicas para você. 

Vale ressaltar que são sugestões de medidas que auxiliam, mas elas não substituem tratamentos profissionais, certo? Confira:

Estabeleça um autodiálogo

Sabe quando vem aquela sensação estranha em relação a alguma coisa? Um incômodo que nem sabemos ao certo o que é, mas que chega a ser até um pouco sufocante? É hora de parar e conversar consigo mesmo, de racionalizar o pensamento. 

Quando isso acontece, a tendência é tornar as coisas maiores do que elas são, então, procure trazer o pensamento de volta à realidade.. Analise com calma o que está sentindo, avalie os pontos envolvidos, pergunte-se: é algo concreto ou estou antecipando algo que nem aconteceu? E se acontecer, quais os possíveis cenários? O que posso resolver agora? 

Isso ajuda a compreender o todo e a interpretar as situações dentro de sua devida proporção. É um exercício, portanto, lembre-se de praticar. 

Invista em técnicas de meditação e de respiração

A meditação promove relaxamento, autoconsciência e benefícios diversos para o organismo. Isso pode ajudar bastante no alívio e na prevenção dos sintomas da ansiedade. 

Vale a pena investir na técnica. Aproveite as várias opções gratuitas na internet e comece aos poucos. 

As técnicas de respiração desempenham um papel importante, especialmente quando você percebe possíveis gatilhos. Ao exercitar a respiração consciente, você oxigena melhor o cérebro, tira o foco da situação que está causando a ansiedade e diminui a tensão. Esta matéria publicada no Estadão traz dicas e explicações sobre como a respiração atua nesses casos. 

Cuide da sua alimentação 

Talvez você esteja se perguntando: comida tem a ver com ansiedade? Saiba que sim! Os nutrientes presentes nos alimentos têm influência nas atividades cerebrais e podem atuar no agravamento ou no controle de quadros emocionais. 

O ideal é uma dieta equilibrada, com todos os nutrientes e grupos de alimentos, para manter uma saúde geral boa. Quando uma pessoa apresenta sinais de ansiedade, é interessante reduzir opções mais estimulantes, como cafeína, açúcar, farinha branca e ultraprocessados. 

Evite também o excesso de bebidas alcóolicas. Muitas pessoas se sentem melhor no momento do consumo, mas, quando o efeito passa, a ansiedade pode vir com tudo devido à ação do álcool nos hormônios reguladores. A sensação é ainda pior somada à “ressaca moral”. 

A boa notícia é que há muitos alimentos que ajudam no equilíbrio das emoções, como aqueles que contêm triptofano (banana, castanhas, chocolate amargo, abacate, queijo e outros). 

Faça atividades prazerosas 

Ter um hobby, fazer algo de que se gosta, investir no seu lazer também é muito importante para uma boa saúde mental — e física também. Dedique um tempo a atividades que te permitam descansar a mente e que sejam simplesmente prazerosas para você. 

Algumas atividades possíveis são: trabalhos manuais, caminhadas ao ar livre, conversa com amigos, leitura, cinema, passeios em geral, voluntariado… Enfim, aquilo do qual você gosta e que pode incorporar no seu dia a dia. 

Converse com pessoas da sua confiança

Você não precisa e nem deve sair por aí se expondo, até porque algumas pessoas não sabem lidar com questões relacionadas à saúde emocional. Mas é muito importante compartilhar com alguém seus sentimentos, angústias e demais situações pelas quais estiver passando. 

Além de aliviar a pressão, é uma maneira de obter um novo ponto de vista, acolhimento e ajuda para procurar soluções que melhorem seu bem-estar. Não passe por isso isoladamente, abra-se e peça apoio a algumas pessoas da sua confiança. 

Busque ajuda profissional

Saber o que é ansiedade, buscar formas de alívio e de lidar melhor com o dia a dia é muito importante para sua saúde mental dentro e fora da universidade. Acontece que isso isoladamente não resolve a questão. Os quadros de ansiedade precisam de tratamento e acompanhamento profissional.

Pense no caso de uma gripe forte, por exemplo: repouso e hidratação mais intensa aliviam os sintomas, mas é preciso ir ao médico, fazer exames, tomar remédio… A ansiedade precisa ser vista como uma questão de saúde, como de fato é. 

Psicoterapeutas e psiquiatras, cada um em sua atribuição, são os profissionais habilitados para esse acompanhamento. E são eles que vão fazer os diagnósticos corretos e realizar os melhores tratamentos para seu caso. Por isso, se perceber algum dos sintomas, busque orientação profissional o quanto antes, combinado? 

Sabia que a PUC Minas pode te ajudar?

A Universidade disponibiliza aos estudantes e à comunidade acadêmica atendimento gratuito na clínica de Psicologia, que faz parte dos cursos da FAPSI (Faculdade de Psicologia da PUC Minas). 

Entre em contato para agendar seu horário no campus onde você estuda ou no que seja mais acessível para você. Conte com a PUC Minas no cuidado com a saúde mental.

Por fim, lembre-se de que enfrentar um quadro de ansiedade não é culpa sua e nem motivo de vergonha. Trata-se de uma condição de saúde como tantas outras, portanto, acolha a si mesmo e não dê ouvidos a afirmações infundadas ou desprovidas de empatia. Foque em você, na sua trajetória e na sua saúde, pois isso é o mais importante. 

Trabalhar e amadurecer sua inteligência emocional também é uma estratégia para evitar e amenizar a ansiedade. Baixe o e-book Como Desenvolver sua Inteligência Emocional, publicado no Conexão PUC Minas. 

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