Depoimentos

Foto de Alisson ChagasA Engenharia Elétrica é uma área promissora, pluralizada, que está lado a lado com a maioria das transformações ao longo do tempo. Essencial para a sociedade como um todo, conta com um mercado forte, com inúmeras oportunidades. 

Se você está de olho no Curso de Engenharia Elétrica, a história de Alisson Chagas vai te inspirar muito. Ele é um filho da PUC, com 20 anos de formado e exemplo de construção de uma carreira ascendente na Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais). Continue sua leitura e confira nosso bate-papo com ele. 

Veja a trilha de construção de carreira de Alisson Chagas

A combinação entre visão de mercado, formação sólida e paixão pela Engenharia Elétrica marca os passos de Alisson Chagas na construção de uma carreira inovadora e ascendente na Cemig. 

E essa trajetória tem como plano de fundo as profundas transformações tecnológicas, as mudanças nas demandas sociais e ambientais e o crescimento expressivo dos investimentos da companhia. 

Quer saber mais? Conheça a vida e a carreira do engenheiro eletricista e confira as dicas e percepções que ele compartilhou conosco. 

1. Quais foram os principais marcos da sua trajetória desde a PUC Minas até o seu cargo atual?

Começo falando da oportunidade que a PUC Minas nos dá ao ofertar um Curso de Engenharia Elétrica no turno da noite. E mesmo sendo um curso pesado, considero que foi muito bem-feito. Para mim, isso foi muito importante, porque logo no segundo período consegui um estágio na GE (General Electric). Sem dúvidas, o fato de estudar na PUC Minas, ter o nome da Universidade, foi decisivo para eu conseguir esse estágio. Depois fui contratado e atuei lá por quatro anos, trabalhando e estudando.

Outro ponto marcante da minha jornada foi ter passado no concurso público da Cemig, que inclusive passei em quinto lugar. Eu estava no décimo período quando o concurso foi anunciado. Foi tudo muito rápido, não tive muito tempo para me preparar para a prova especificamente, e a formação da PUC Minas foi o que me ajudou a ser aprovado. 

Então entrei na Cemig como engenheiro na área de planejamento, atuei em diversas frentes, assumi a coordenação de geração distribuída, quando estava se iniciando a geração distribuída no Brasil. Em seguida, atuei com planejamento integrado, depois gerência de planejamento e superintendência de engenharia e operação. Depois, assumi outra superintendência, a de planejamento, engenharia e projetos. 

Conheça os diferentes tipos de provas de concurso público.

2. Você pode compartilhar um case ou projeto em que participou na Cemig e que marcou sua carreira?

Vou falar sobre dois grandes marcos para mim. Recentemente, no início de 2026, entregamos a primeira microgrid (microrrede integrada) do Brasil. Foi um grande evento, com participação de muitas autoridades e imprensa de todo o país. Em Serra da Saudade (um município pequeno, que tem uma carga relativamente pequena e que conta somente com uma fonte de alimentação), construímos um sistema de armazenamento de energia em baterias associado a uma planta de geração solar fotovoltaica. 

Basicamente, a planta fica conectada na rede e alimenta essas baterias, melhorando bastante a qualidade do fornecimento de energia e funcionando como contingência. Se acontecer algum problema na rede, essas baterias entram como um plano B e garantem o fornecimento de energia da cidade, de forma autônoma, por 48 horas. E o grande diferencial em relação a outros projetos no Brasil é que essa rede não é isolada, ela está conectada à rede da Cemig e é controlada pelo centro de operações da companhia. Foi um grande desafio e um importante salto em inovação, realizado pelo meu time. 

Outro projeto que eu não poderia deixar de mencionar é o Mais Energia, que marca uma transformação nos investimentos da Cemig. A proposta é a construção de 200 novas subestações. A Cemig tinha 400 em 70 anos de história e em apenas sete anos já construímos 150. Com o aumento expressivo dos investimentos e conforme planejamos, até 2027 entregaremos as 200. Então são esses dois projetos em especial dos quais tenho muito orgulho de fazer parte. 

3. Como estudar na PUC Minas impactou sua formação humana e técnica? 

A formação técnica da PUC Minas é, para mim, uma das melhores do Brasil, muito completa. Tínhamos uma grande estrutura de laboratórios, máquinas elétricas, laboratórios de medição, de sistemas elétricos e assim por diante. Acabei de fazer 20 anos de formado e vejo, nos profissionais que recebemos aqui em novos concursos ou contratados, que os que vêm da PUC Minas são realmente diferenciados. 

A formação humana é o grande diferencial, porque, para mim, o conhecimento técnico é básico e tem que ser bem-feito, mas a formação humana é muito importante. Lembro-me de disciplinas como Direito e Cultura Religiosa, que fizeram a diferença. 

No mercado percebemos técnicos excelentes, mas que, por exemplo, têm dificuldade de se posicionar numa reunião, de resolver um conflito e sair dele com uma proposta de melhoria ou com um projeto… Enfim, essa formação humana considero essencial, inclusive para os cargos de liderança. E na minha carreira foi um fator decisivo para a escalada como vem acontecendo. 

4. Quais as principais oportunidades e os principais desafios para quem deseja trabalhar na área de Engenharia Elétrica? 

A Engenharia Elétrica é muito ampla e todos os setores produtivos precisam de um profissional da área. Focando no meu segmento de atuação, que é a energia elétrica, estamos vivendo uma verdadeira transformação em todos os sentidos e setores. 

Viemos de um modelo centralizado, partindo de grandes usinas hidrelétricas e sistemas de transmissão até chegar nas cidades, através das suas subestações e distribuição de energia elétrica, para os consumidores finais. E nos últimos tempos, tivemos o crescimento da geração distribuída, com o consumidor podendo gerar sua própria energia, especialmente com as usinas solares fotovoltaicas. Isso, por si só, já é uma profunda transformação e um grande desafio para quem trabalha com Engenharia Elétrica. 

Estamos vivendo agora um maior empoderamento dos clientes, que podem escolher de quem comprar a energia elétrica e uma abertura maior do mercado. Tudo isso, somado a outras questões como a inteligência artificial (que gera muitas mudanças, inclusive na nossa forma de aprender), traz uma série de desafios, mas também grandes oportunidades de negócios e de empregos para quem está chegando no mercado de energia elétrica.

Outro ponto interessante é a esfera do armazenamento de energia. Com o crescimento das usinas intermitentes, como solares e eólicas, é preciso um alto investimento no armazenamento de energia — tal como o projeto que mencionei, da microrrede, que a Cemig implementou. É também um bom campo para quem está começando no mercado. São muitas oportunidades, mas em linhas gerais é isso que destaco.  

5. Quais soft skills esse profissional deve ter? 

A hard skill é o que o profissional sabe, o conhecimento técnico, científico e o que se aprende ao longo da carreira. Considero as soft skills a forma como ele aplica as competências técnicas. Tem relação com comunicação, relacionamentos interpessoais, resolução de conflitos, capacidade de se adaptar a mudanças, entre outras. 

Tenho exemplos nítidos no meu trabalho de profissionais tecnicamente excelentes, com conhecimento acima do padrão, mas que apresentam fortes dificuldades de ser confrontados, de ouvir uma opinião divergente e de entender que a partir daí podem surgir ótimas soluções. 

Então, a capacidade de lidar com situações como essa, a capacidade de ter controle emocional, de dialogar e aprender com os conflitos, de ter bons relacionamentos, eu valorizo muito. E é muito mais complexo do que lidar com sistemas elétricos ou qualquer tipo de cálculo, por exemplo. 

6. Como você acredita que será a Engenharia Elétrica no mercado de trabalho do futuro? 

Temos percebido profissões mudando bastante e até desaparecendo com a chegada da inteligência artificial e uma série de questões tecnológicas. Mas a Engenharia Elétrica está acompanhando as transformações e tem muita inovação acontecendo. 

O primeiro ponto é que, na minha visão, questões básicas como geração, transmissão de energia com grandes linhas e distribuição continuarão existindo. Os consumidores continuarão precisando de energia elétrica por décadas, portanto, o mercado vai precisar muito desses profissionais. Não vejo a Engenharia Elétrica em risco, muito pelo contrário. Tudo isso vai continuar além do que estamos percebendo como mudanças no comportamento do cliente e no seu protagonismo em relação à interação com a energia elétrica. 

Assim, percebo uma imensa oportunidade para os engenheiros atuarem e, no meu ponto de vista, é um dos melhores cursos que alguém poderia pensar em fazer. Se você quer exercer uma atividade que tem propósito, que leva conforto, desenvolvimento, emprego e renda para a população, seu lugar é na Engenharia Elétrica.

7. Quais referências de organizações e profissionais inspiram seu trabalho?

Primeiramente, a Cemig. São 20 anos trabalhando na empresa e sou muito grato por tudo que eu aprendi, por tudo que eu consegui desenvolver e entregar. Isso abrange toda a minha vida, inclusive pessoal.

Tenho também outras grandes organizações como referências, e que inspiram, sim, por exemplo, a Vale, no setor de mineração, Gerdau na siderurgia, Itaú no setor bancário, entre outras. 

Já em termos de profissionais, um dos maiores, e com quem hoje eu tenho a honra e o prazer de trabalhar junto, é meu vice-presidente, Marney Tadeu Antunes. São mais de 40 anos de experiência, um profundo conhecimento do setor elétrico e de distribuição de energia elétrica. Trabalhou em grandes empresas como a antiga CESP (Eletropaulo), CPFL e agora Cemig. Aprendo muito com ele, profissional com 60 anos de idade, que tem uma gana, uma vontade, que nos instiga todos os dias a inovar e que tem grandes ideias. 

Na sequência cito Luiz Henrique, que foi meu professor na PUC Minas, continua lecionando e já se aposentou na Cemig. Grande referência de profissional e de ser humano. Aprendi muito com ele também

8. Quais dicas você pode dar a quem está começando na faculdade de Engenharia Elétrica e deseja atuar na área de planejamento e distribuição?

Primeiramente, entender que o começo não é fácil. No início do curso, às vezes, pode acontecer de o estudante se sentir um pouco perdido ou não entender porque está estudando algo. Algumas coisas eu também compreendi só depois. 

Por isso, durante a formação recomendo sempre solicitar aos professores exemplos práticos do que está aprendendo, trazer para a sala de aula uma conexão com o mundo real e explorar bem essa visão ampla e os motivos de estarem estudando o conteúdo em questão. E mais, como isso se aplica nas atividades profissionais. Ter esse diálogo com os professores. Na minha graduação tive muito disso e facilita demais o entendimento. 

A segunda dica é ter paciência. Engenharia Elétrica não é uma graduação fácil. É preciso dedicação. Ninguém se forma na área sem estudar. Mas é também um curso incrível. É maravilhoso o que a energia elétrica produz para a vida das pessoas, então todo esforço compensa e vale muito a pena.

E, por fim, não se esquecer de outras competências que não sejam apenas máquinas, sistemas elétricos, medições, enfim, a parte técnica. Precisamos desenvolver outras habilidades, como as humanísticas, e isso é possível ao longo do curso. 

PUC Minas: aprendizado sólido e inovação na Engenharia Elétrica

Alisson destacou a excelência da formação na PUC Minas como um dos principais fatores de sua aprovação no concurso da Cemig — inclusive em uma ótima colocação para um processo desse porte. 

É interessante ressaltar aspectos como aliar teoria e prática de mercado desde o início da graduação e a dedicação a ir além da técnica, desenvolvendo soft skills cada vez mais requisitadas pelas organizações. 

Inovação, excelência, tradição e desenvolvimento humano são pilares da Universidade. E, como podemos observar com a jornada de Alisson Chagas, são verdadeiros diferenciais, capazes de impulsionar carreiras. 

Quer conhecer mais histórias de filhos da PUC na Cemig? Veja a entrevista com Cicéli Martins. Daqui a um tempo pode ser você contando sua trajetória de sucesso. Saiba tudo sobre o curso de Engenharia Elétrica da PUC Minas. 

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